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A
Vila do Curiaú, localizada a 12 Km de Macapá,
foi narrada em prosa pelo escritor Sebastião Menezes
da Silva, um agricultor negro. Aliás, os negros descendentes
de escravos são os únicos habitantes da pequena
vila, onde muitos podem ter a bela sensação
que ali o tempo não passou.
Foi
por causa do livro de seu Sebastião, editado pela
Fundação Estadual de Cultura, que Curiaú
ganhou da Fundação palmares o título
definitivo de área quilombola. O livro conta a história
da origem do quilombo amapaense e aborda, além da
formação da família, a religiosidade,
crendices, superstições, costumes e curiosidades
do lugar.
É
a história preserva em letras e o resgate da cidadania
e da auto-estima dos descendentes dos escravos africanos.
Escravos que, aliás, ajudaram a erguer a Fortaleza
de São José, construída entre 1764
e 1764, na foz do rio Amazonas, em frente a cidade de Macapá,
para garantir o domínio lusitano no extremo norte
do Brasil.
Os
negros escravos também deixaram seus costumes, hoje
preservados pelos atuais habitantes da vila. Comer um tucunaré
assado, camarão no bafo, beber gengibirra, tomar
banho no lago, ouvir o som do marabaixo e do batuque, ritmos
que o povo negro criou nos porões dos navios há
500 anos, são algumas das tradições
da cultura local no remanescente de quilombo do Curiaú.
E é em preservação a essa cultura que
acontece, todos os anos, a Festa do Marabaixo, uma festa
em homenagem ao Divino Espírito Santo, criada por
eles, os escravos.
A
manifestação folclórica acontece sempre
depois da quaresma e dura dois meses. As pessoas dançam
em círculo ao ritmo dos tambores. Para garantir energia,
os dançarinos tomam gengibira, uma bebida típica
feita de gengibre ralado, cachaça e açúcar.
O momento mais importante da festa acontece durante o Encontro
dos Tambores. É quando cada grupo exibe seu mastro
enfeitado com flores e uma imensa bandeira do Espírito
Santo.
Acesso à Vila do Curiaú:
Rodovia
do Curiaú, a 12 km de Macapá, transportes
urbanos saindo de Macapá.
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